terça-feira, 24 de setembro de 2013

Di Melo - Di Melo (1975)



Di Melo - Di Melo (1975)

01. Kilariô (02:47)
02. A Vida Em Seus Métodos Diz Calma (03:42)
03. Aceito Tudo (02:57)
04. Conformópolis (02:43)
05. Má-lida (03:29)
06. Sementes (01:33)
07. Pernalonga (02:44)
08. Minha Estrela (02:30)
09. Se o Mundo Acabasse em Mel (03:06)
10. Alma Gêmea (03:58)
11. João (02:25)
12. Indecisão (01:58)


Não é de hoje que Pernambuco colabora com a qualidade da música brasileira. Em 1975, Di Melo lançava seu disco mostrando para o Brasil que o swing não ficava só no eixo Rio/São Paulo. Seguidor de Tim Maia e contemporâneo de Cassiano e Hyldon, só não ganhou mais destaque porque naquela época só a música de protesto tinha espaço. Curioso como hoje música de protesto é considerada música de bandido, mas isso é outro assunto.

Di Melo se tornou um álbum conhecido graças aos DJ's, que ficavam com os dedos grossos nos sebos em busca de raridade. O disco abre pegando pesado na balada. "Kilariô" vem cheia de balanço e com baixo e metais destruindo tudo. "A Vida em Seus Métodos diz Calma" é um de seus hits, swing com uma letra que mistura humor e crítica ao desespero. Aliás, a crítica existia muito na música de Di Melo, mas não ficava só no discurso "caminhando e cantando", falava dos problemas do ser humano comum. Mas ele não era filho de sociólogo e não fazia parte da máfia do dendê.

De volta ao chiado do vinil, "Aceito Tudo" é o desabafo de quem chega na cidade grande, isso nos anos 70. Sob a influência do tango vem "Conformópolis", com uma letra poderosa de Waldir Wanderley da Fonseca. Em "Má-lida", Di Melo diminui o ritmo mas não a lamentação. A faixa lembra muito o que seus conterrâneos faziam naquela época. "Sementes" é a mais tango de todas.

Entra "Pernalonga" e o pernambucano volta ao groove -- ainda bem. "Minha Estrela" lembra um pouco a levada de "Kilariô". "Se o Mundo Acabasse em Mel": só pelo titulo já vale! De quebra é uma canção repleta de frases fortes, como "entrou em choque publicitário" -- nada mais atual.

"Alma Gêmea" é aquele momento de lamentação e solidão, assim como o sambinha "João". O disco fecha com "Indecisão". "Tudo isso é pra quem pode / nunca foi, nunca é pra quem quer / tem gente que nasce pra ter / e tem gente que vem pra cantar", diz a letra.

Di Melo ainda está na ativa, assinando com o nome Roberto Melo. E ninguém faz nada.

(texto original retirado do blog Groove Livre).

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Via YouTube

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